Arquivo do mês: junho 2008

ELABORAÇÃO ONIRICA E INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS

Para Freud, a linguagem ao invés de ser o lugar transparente da verdade, é o lugar do ocultamento. O que é falado está escondendo algo mais importante, e essa importância tende a aumentar conforme for a articulação entre a linguagem e o desejo. A psicanálise quer procurar exatamente a verdade do desejo que o discurso oculta, o desejo da infância com todas as interdições a que foi submetido. A única forma desse desejo aparecer é no sonho manifesto, de uma forma bastante distorcida, depois do ´´trabalho do sonho“ ou ´´elaboração onírica“, ou seja, a transformação do conteúdo latente em conteúdo manifesto após algumas deformações. O contrário, a busca do conteúdo latente através do sonho manifesto, visando decifrar o trabalho do sonho é chamada interpretação.

Para chegar a interpretação dos sonhos faz-se necessário um trajeto progressivo da elaboração onírica e observar os quatro mecanismos fundamentais do trabalho do sonho: Condensação, deslocamento, figuração e elaboração secundária, esta última como sendo um segundo momento da elaboração onírica.

Condensação: O conteúdo manifesto é menor do quer o conteúdo latente. O contrário nunca acontece. Pode ocorrer de diferentes formas. Com o ocultamento de alguns acontecimentos do sonho latente, permitindo alguns fragmentos do conteúdo latente no sonho manifesto ou combinando vários elementos do conteúdo latente num único elemento do conteúdo manifesto.

Deslocamento: Também é obra da censura dos sonhos. Substitui elementos do conteúdo latente por outros mais remotos que funcione em relação ao primeiro com uma simples alusão e acentua um acontecimento de menos importância, como forma de descentralizar o de importância.

Figuração: Seleção e transformação dos pensamentos do sonho em imagens, ou pensamentos.

Elaboração Secundária: Modificação do sonho, a fim de que ele seja mais coerente e compreensível, perdendo sua aparência de absurdidade.

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SOBREDETERMINAÇÃO: O sentido do sonho nunca se esgota numa única interpretação. Um mesmo conteúdo manifesto pode nos remeter a séries de pensamentos latentes.

SUPERINTERPRETAÇÃO: Uma segunda interpretação que se sobrepõe à primeira e que nos fornece um outro significado do sonho distinto do indicado na interpretação original.

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Conceito de perversão antes e depois de Freud

Antes de Freud a palavra perversão era utilizada como um termo de censura, vista como doença, como algo de ordem orgânica, anormal. Chamada pelos médicos da época de aberração resultante da degeneração do sistema nervoso. A sexualidade era mencionada como uma forma de reprodução, algo do instinto do indivíduo, portanto, era considerada perversa toda conduta sexual que não objetivasse a reprodução, já que seria colocada em risco a preservação da espécie. O indivíduo seria considerado um portador de desvio. A perversão era uma patologia.

Freud considera que na atividade sexual do ser humano, existem diferentes práticas sexuais, ou seja, a sexualidade das pessoas ditas normais apresenta uma série de exemplos que não estariam voltados diretamente ao órgão genital, ao ato de reproduzir, práticas que não podem ser tratadas como doenças, porque é da natureza da sexualidade humana, o próprio aspecto perverso. As teorias acerca da sexualidade falavam em instinto sexual, e Freud apresentou o conceito de pulsão, cujo objetivo é a busca pelo prazer, pela satisfação. Logo, certas condutas consideradas perversas se tomado como referencial o instinto, deixam de sê-lo se tomado como referência a pulsão. A perversão é uma condição humana em busca do prazer, deixando de ser vista como patologia, portanto todo sujeito humano é perverso. O que é considerado patológico é a fixação objetal, é o sujeito ficar aprisionado a um determinado objeto, um estado de desprazer, aumentando o estado de sofrimento.

Para Freud, a perversão faz parte do processo da sexualidade infantil. O termo Pequeno Perverso Polimórfico coloca o fato de a criança apresentar diferentes formas de sentir prazer. No entanto, a perversão infantil não pode ser confundida com a perversão do adulto, mesmo que seja o ponto de partida para esta, cada uma mantêm sua especificidade.

 

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