Arquivo do mês: julho 2009

Ansiedade e Vida Instintual – Angústia em Freud

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Freud descreve a angústia como um estado afetivo, combinado de uma série de sentimentos da série prazer-desprazer, com intervenções de descargas, e uma percepção dos mesmos sentimentos. Em seguida, comenta sobre dois tipos diferentes de angústia, a realística, sendo como uma reação que nos parecia compreensível, face a um perigo, ou seja, reação a um dano esperado de fora, e a neurótica, que é completamente enigmática, despropositada, sem razão de ser. Ainda sobre a angústia realística, há um estado de preparação para a angústia onde dois resultados são possíveis. A geração da angústia, repetição da antiga experiência traumática, limita-se a um sinal, caso em que o restante da reação pode adaptar-se à nova situação de perigo e pode resultar em fuga ou defesa; ou a antiga situação pode continuar mantendo o domínio, e a reação total pode consistir em nada mais que geração de ansiedade, caso em que o estado afetivo se torna paralisante e será inadequado para os propósitos atuais. Em relação a angústia neurótica, observamos sob três condições, encontramo-la na forma livre, flutuante, num estado de apreensão difusa. Também sob a forma de fobias, que tem uma relação com o perigo externo, e por último a ansiedade na histeria e em outras formas de neurose grave.

Consideramos o processo de repressão responsável pela angústia na histeria e em outras neuroses. É a idéia que é submetida a repressão e que pode ser deformada a ponto de ficar irreconhecível; sua quota de afeto, porém, é regularmente transformada em angústia, e isto é assim, qualquer que possa ser a natureza do afeto, seja de agressividade ou de amor.

No caso de um paciente com agorafobia (o medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão. Em realidade, o agorafóbico teme a multidão pelo medo de que não possa sair do meio dela caso se sinta mal e não pelo medo da multidão em si) pode iniciar sua doença com um acesso de angústia na rua. Isto se repetiria cada vez que fosse à rua novamente. Pode ser também qualificado como inibição, como restrição do funcionamento do ego, e, por meio dele, o paciente se poupa dos ataques de ansiedade. Na angústia realística reside em dois pontos: que o perigo é um perigo interno, ao invés de externo, e que esse perigo não é conscientemente reconhecido. Nas fobias, esse perigo interno é transformado em perigo externo, ou seja, a angústia neurótica é mudada em angústia aparentemente realística.

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Leveza

Leve o pensamento na cabeça.
Tão leve que nem é preciso pensar noutra coisa,
Além de tudo aquilo que vivemos.
Viver é pensar um pouco,
Mas só o suficiente para não deixarmos de viver.
Às vezes, viver é também lembrar do que se vive.
Dos grandes e prazerosos momentos juntos,
Que vez ou outra, não são muito grandes
Mas que nos fazem um bem enorme.
Viver é correr o risco de não pensar
De não querer pensar nada além do que se está vivendo,
Como se aqui e agora fosse tudo o que tivéssemos.
É tudo o que temos!
Leve também cada expressão no rosto,
De saudade, de carinho ou de desejos.
Leve no coração uma gostosa sensação de paz.
Essa mesma paz que nos faz ir em busca das mudanças.
Leve esse sorriso no rosto de quem sabe que está chegando,
Sabe também que está sempre partindo um pouco,
Sem deixar de ter consigo todas as estradas porque passou.

Márcio Arthoni

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As escolhas de uma vida

Algumas pessoas constantemente mudam de vida com tanta facilidade e desapego, que chego a me surpreender. Para outras, no entanto, mudar torna-se sinônimo de insegurança, medo, infindáveis questionamentos por não saber se é capaz de “segurar a barra” de todas as consequências e surpresas que acompanham a mudança. Será que isso é característico de pessoas frágeis? Claro que não! Decidir mudar, não é fácil, e é por isso que o mundo está repleto de pessoas infelizes e frustradas no campo emocional, profissional, familiar e tantos outros, exatamente porque optaram por não mudar, mesmo quando era preciso, não tentar parecia mais seguro.
Uma amiga, queridíssima, me enviou este texto escrito pela publicitária e escritora Martha Medeiros, cujo o tema fala de nossas escolhas e decisões de uma forma simples e inteligente. Gostaria de compartilhar com vocês.
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A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: “Nós somos a soma das nossas decisões”. Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso. Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar “minha vida”. Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. Se é a psicologia que se almeja, pouco tempo sobrará para fazer o curso de odontologia. Não se pode ter tudo. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades. As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços. Escolha. Morar em Londres ou numa chácara? Ter filhos ou não? Posar nua ou ralar atrás de um balcão? Correr de kart ou entrar para um convento? Fumar e beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas. Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado, viver de poesia e dormir em hotel 5 estrelas. No way*. Por isso é tão importante o auto-conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: ninguém é o mesmo para sempre. Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto. Quanto menos a gente errar, melhor.
Martha Medeiros
 

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Filosofando — Do aluno para a professora

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Pulsão de Vida e Pulsão de Morte

As descobertas de Freud referentes ao descentramento do sujeito, que determinam o Ser do Psiquismo, foram importantes para que os conceitos de Pulsão de Vida e Pulsão de Morte fossem formulados. A partir da elaboração das teorias ligadas ao Inconsciente Humano, importantes para o surgimento da perspectiva do deslocamento da soberania do consciente e do eu para os registros do inconsciente e das pulsões, o autor aprofundou as concepções relativas às pulsões.

Para Freud, as pulsões não estariam localizadas no corpo e nem no psiquismo, mas na fronteira entre os dois e teriam como fonte o Id (isso). A pulsão de vida seria representada pelas ligações amorosas que estabelecemos com o mundo, com as outras pessoas e com nós mesmos, enquanto a pulsão de morte seria manifestada pela agressividade que poderá estar voltada para si mesmo e para o outro. O princípio do prazer e as pulsões eróticas são outras características da pulsão de vida. Já a pulsão de morte, além de ser caracterizada pela agressividade traz a marca da compulsão à repetição, do movimento de retorno à inércia pela morte também.

Embora pareçam concepções opostas, a pulsão de vida e a pulsão de morte estão conectadas, fundidas e onde há pulsão de vida, encontramos, também, a pulsão de morte. A conexão só seria acabada com a morte física do sujeito.

 Podemos constatar o enlaçamento existente entre as pulsões na dinâmica da neurose da angústia.  A pulsão de morte no sujeito será a responsável pela elevação da tensão ou excitação libidinal que será escoada pela pulsão de vida que levará o indivíduo, impulsionado pelo princípio do prazer, a procurar objetos que venham minimizar os impactos da angústia.

Os conceitos de pulsão de vida e pulsão de morte concebidos por Freud foram importantes para a construção da teoria psicanalítica, pois proporcionou um novo entendimento sobre os registros do inconsciente, ampliando os estudos e concepções sobre o psiquismo humano.

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O Padre Voador

Padre Adelir de Carli

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Hoje faz um ano que o corpo do Padre Adelir de Carli, conhecido por todos como O Padre Voador, foi encontrado há cerca de 100 km do lugar onde alçou vôo na intenção de tornar uma pastoral rodoviária evidente e conseguir doações para a construção de uma hospedaria para caminhoneiros. Padre Adelir desenvolvia junto a pastoral um trabalho de conscientização dos caminhoneiros, orientando para uma vida de fé, longe das drogas e do álcool. No entanto, a missão do padre não foi cumprida, desapareceu no dia 20 de abril de 2008 no dia em que levantou vôo e passou meses desaparecido, sendo encontrados seus restos mortais somente no dia 03 de julho de 2008 por um rebocador e reconhecido somente com exame DNA.

É provável que todos achem a atitude do padre suicida, tentar fazer um vôo de 20 horas suspenso por mil balões de festa com a pretensão de divulgar um trabalho de pastoral. Confesso que também penso dessa forma, e por que penso assim? Talvez porque não teria a mesma coragem de desafiar os limites, ou até mesmo, porque acho minha vida preciosa demais para arriscá-la por uma causa, principalmente sem ter a certeza que trata-se de uma causa justa. E será que mesmo por uma causa justa arriscaria?

Muitas críticas surgiram ao padre, apelidos como o São Balão e a fama pela morte mais estúpida do ano brotaram. Porém, conversando comigo mesmo, me questiono, quem sou eu para saber quais motivos esse homem teve para se arriscar tanto em nome de uma causa? Seria um sonho, uma realização pessoal? Seria vaidade por ter a coragem de ir tão alto? Seria fé, a segurança de que nada de perigoso poderia acontecer? Seria bondade? São muitos os questionamentos, e somente uma certeza, somente o Padre Adelir de Carli poderia responder com propriedade.

Hoje, um ano depois que seu corpo foi encontrado, fico curiosa em saber se sua presença ainda é lembrada, seus atos, seu espírito aventureiro. Se as doações para a construção da hospedaria continuam, ou se a hospedaria já foi erguida. Se o sentimento dos membros da pastoral em relação ao Padre Voador é de orgulho por seu Voar Social ou de vergonha. De uma coisa eu tenho certeza, mesmo sabendo dos riscos que corria, como homem livre, ele escolheu voar, provou  que não há nada como seguir nossas próprias escolhas.

Abaixo, uma matéria do Fantástico sobre o Padre Voador.

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