Arquivo do mês: outubro 2009

Isso é verdade! ;)

Quem disse que é fácil ouvir a verdade?

Quem disse que é fácil falar a verdade? Ouvir, então, nem se fala!

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Arquivado em humor, Pra ficar bem

Natalie X

A dinâmica do desejo na histeria no filme Natalie X

natalie xO termo histeria foi amplamente estudado por Jean-Martin Charcot, um eminente neurologista tentando demonstrar que esse fenômeno podia manifestar reações físicas. Freud com base nos postulado por Charcot, fundamentou sua pesquisa na teoria da neurose que eram causadas por lembranças reprimidas de grande intensidade emocional.

No filme Natalie X, acompanhamos a trajetória de Catherine, uma mulher jovem, bonita, bem sucedida e que subitamente descobre estar sendo traída por seu marido Bernard com quem é casada há vinte e cinco anos. Ao questionar a Bernard de quem se tratava uma mensagem recebida pelo celular, foi informada de que não era ninguém em especial, só uma mulher sem importância com quem teria passado a noite. Inconformada, Catherine demonstra sua insatisfação, levando-a a descrer sobre sua feminilidade e ambos passam a culpar um ao outro pelo afastamento e monotonia do casamento. O desejo entre os dois não está despertado, há no casamento acomodação. Catherine resolve procurar uma prostituta, a quem vai dar o pseudônimo de Natalie, e a contrata para seduzir Bernard, descobrir suas fantasias, seu comportamento na cama. Mesmo se sacrificando, ela quer que Bernard seja satisfeito porque acredita ser incapaz de realizar as fantasias sexuais do marido. Ela coloca o marido como sendo o detentor do poder, posição importante de quem tem o falo, no caso o poder, porque ele é desejado por outra mulher. Sua vertente libidinosa vem à tona e Catherine encontra em Natalie um mecanismo para emanar seus desejos, o que ela fazia questão de ocultar. Isso fica bem claro em um momento que Catherine toma como posse um perfume igual ao de Natalie e quando pede a mesma bebida que Natalie dizia tomar junto a Bernard, simbolizando para o marido que ela também poderia ser desejável. A partir daí, surge uma triangulação amorosa, onde Natalie precisa seduzir Bernard para que Catherine conheça mais sobre os desejos do seu marido. Bernard, por sua vez, procura Catherine, mas a mesma está cada vez mais distante e aparentemente indiferente. Ao procurar Catherine para o sexo, Bernard se depara com uma mulher fria e cansada, característica da falta estrutural da histérica que reside exatamente no que ela mais deseja, pois a recusa do sexo sustenta seu desejo de insatisfação. A histérica preserva a falta, o desejo insatisfeito, sem o qual a estrutura da histeria não se sustenta. A histérica goza na falta mesmo que o preço a ser pago por esse gozo seja o desprazer de um desejo não satisfeito. No caso de Bernard, a condição do histérico é poder ter o falo para si e fazer com que este seja objeto de seu controle. Ele demonstra essa angústia pela perda quando desconfia da traição da mulher, demonstrando por essa situação. O histérico masculino diferentemente do feminino é sustentado por sua autoconfiança na virilidade. A partir do momento que a Catherine deixa supor que existe outra pessoa em sua vida que não é o Bernard, ele não se vê mais como objeto de desejo dela.

nathaliex02Natalie passa a narrar detalhadamente os seus encontros com Bernard para Catherine, que por sua vez, na tentativa de por a prova o que conhece sobre o marido, questiona e contesta por diversas vezes o que é dito, demonstrando mais uma expressiva cota de gozo da histeria pelo saber. Ao mesmo tempo em que busca informações sobre o que a afeta, desvaloriza esse saber. É como se nenhuma verdade imperasse por muito tempo, pois ela se recusa a acreditar. Ela sofre pela traição, e por acreditar não ser capaz de ser tão desejada como Natalie, mas há um gozo em Catherine, mesmo quando ela fica zangada e insegura em relação aos encontros de Bernard e Natalie, e ela passa a procurar Natalie diariamente, escutando a narrativa do encontro atentamente. Ela goza no jogo que faz ao não se relacionar com o marido, o que não significa que não haja libido, mas que é maior o gozo esquivando-se da relação sexual. Catherine quer reparar a própria falta engajando-se no ideal de perfeição da mulher ideal, neste caso Natalie, de modo a suprir-lhe essa falta. Catherine não persegue seu desejo com o marido, mas vislumbra um ideal, motivo pelo qual queixa-se continuamente e apresenta sempre justificativas para permanecer naquele lugar, o de esposa, de modo a manter sempre o outro idealizado.

Natalie e Catherine começam a se identificar, e se interessar pela vida uma da outra. Elas passam a se encontrar em locais mais íntimos como a casa da mãe de Catherine, ou na clínica onde ela trabalha. Na identificação com a outra mulher, Catherine fica mais confortável para delegar a outra um suposto saber sobre como ser mulher, o que a isenta da preservação de um saber que para a histérica é inconstante e sustenta a falta de sexualidade o que é de primordial importância no jogo histérico. A partir daí também surge a competição, quando Natalie sente o desejo de ser esposa e narra que Bernard quer morar com ela e Catherine discorda, pois sabe do amor que o marido sente por ela. Como Catherine tem grande dificuldade de se assumir como a mulher sensual, a triangulação amorosa no filme estabelecida, evidencia a identificação com Natalie, a outra mulher, a desejada.  Natalie percebe que Catherine gosta de ouvir detalhes sobre as relações sexuais com Bernard, passa a alimentar ainda mais a fantasia de Catherine. Na verdade, Catherine tem esses desejos e não o marido. Natalie incorpora um fetiche, o brilho da mulher desejável, o brilho fálico, mas gostaria de ser a esposa. O desejo de Catherine é despertado pelo aparecimento da outra desejando o marido Bernard. Catherine passa a se proteger da morte do desejo, e sofre ao perceber que o desejo do outro é mais aberto e que há um enigma que é saber o que o marido deseja na outra mulher. É uma identificação feminina, ao modo como Natalie faz um homem a desejar. Ambas passam a ser espelho uma da outra, onde elas buscam traços para se comportar, e isso fica bem claro quando Natalie trabalha num salão de beleza e Catherine resolve dançar e transar com um desconhecido em um local inusitado, anteriormente narrado por Natalie.

nathalie-x03Existe na trama uma complexidade familiar da relação entre a Catherine e sua mãe. Isso é algo comum no histérico visto que o amor materno é muito intenso buscando esse a representação daquilo que acredita ser o desejo da mãe.

A personagem Marlene embora a trama possa ter transmitido a mensagem de aproveitadora, aquela situação pode ser interpretada como forma de Natalie ser uma pessoa que não se prostitua e tem uma vida dentro dos padrões de moral social como pessoa. Em determinados momentos a Natalie é quem toma conta da cena sublimando a vida da Marlene.

*Texto desenvolvido em equipe e apresentado na disciplina de psicopatologias psicanalíticas.  

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Feliz “dia das crianças”

crianca

Aproveitando que hoje comemora-se o dia da criança (e o comércio está bombando por causa disso) segue link de uma matéria da revista Psique Ciência & Vida, sobre a importância do brincar no desenvolvimento cognitivo das crianças. Espero que gostem, e eu vou ficando por aqui, imaginando quantas alegrias e sofrimentos infantis teremos hoje por conta de um presente ou da ausência dele. Depois de semanas sendo alimentados pela mídia nesta expectativa, hoje é o dia das crianças tirarem a prova final. Para elas, desejo que seja um dia de alegrias, para os pais, desejo boa sorte, afinal esse é o mundo do capitalismo mesmo. =( 

Para quem se interessar sobre o tema “Criança e Consumo” eis o link de um site que tem como um dos seus propósitos despertar a consciência crítica da sociedade brasileira a respeito das práticas de consumo de produtos e serviços por crianças e adolescentes. =)

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Brincar – Um campo de subjetivação na infância

diversãoA CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE INFÂNCIA

No livro Brincar – Um campo de subjetivação na infância, a professora e psicomotricista Cláudia Jardim, escreve sobre a importância do brincar no desenvolvimento infantil, contando fatos históricos do universo da criança a partir do século XII até o século XIX, utilizando-se de referenciais teóricos como o historiador francês Philippe Ariès, Rosseau, Foucault, entre outros.

Philippe Ariès (1978) destaca duas teses em sua pesquisa na construção do conceito de infância: a primeira afirma que não havia sentimento de infância na Idade Média, ou seja, não havia consciência da particularidade infantil que distingue a criança de um adulto. Logo que a criança tinha condições de viver sem a dependência constante da sua mãe ou da sua ama, ela passava a participar do grupo dos adultos, a partir daí, os seus valores e conhecimentos não eram assegurados ou controlados pela família. A segunda tese apresenta a família e a criança ocupando lugar central nas sociedades industriais.

Em relação a arte medieval do século XII, Ariès chama a atenção para ausência de arte envolvendo as crianças, e isso não acontecia por falta de habilidades para a criação desses trabalhos, mas porque não havia lugar para a infância nesse mundo. Até o século XVII a criança era vista como um adulto em miniatura e tratada com certo descaso, como se fosse um bichinho de estimação, oscilava entre o mundo animal e o dos adultos. No século XIII nas raras representações artísticas, eram representados por adultos com tamanho reduzidos, nunca por crianças com expressões bem particulares. Nos séculos XV surgiram mais representações da infância. O putto que era a criança nua, vista nas esculturas, e o retrato, que não era colocado em seu próprio túmulo ou no de seus pais, mas sim no de seus professores, a criança agora era representada por ela mesma, uma nova sensibilidade atribuiu as crianças, seres frágeis e ameaçados, uma particularidade que ninguém se importava em conhecer. Nos séculos XVII os retratos de família passam a privilegiar a criança, e as pinturas, mesmo que não contemplassem a um tema infantil, utilizavam as crianças como suas protagonistas, principais ou secundárias. E essa particularidade infantil, não parou por aí, avançou nos demais séculos buscando sua especificidade cada vez mais refinada, até a atualidade.

O texto fala das mudanças ocorridas nos hábitos de brincar na sociedade medieval tendo como modelo o futuro Luis XIII, pelas anotações do diário do médico dele, Héroard. A partir das anotações dele, podemos conhecer um pouco das principais brincadeiras e atividades do pequeno, e nos ajuda a compreender como era a vida das outras crianças, já que todas elas, bastardas ou legítimas recebiam o mesmo tratamento de todas as outras crianças nobres. No século XVIII o movimento da particularização da infância avança e ganha forças, com o romantismo a família sofre mudanças, e a criança passa a ser valorizada ocupando um lugar de destaque no interior da família. Passam a cultivar as maneiras próprias do agir da criança, e as qualidades características da sua idade. A infância como graça, amabilidade, a “bondade natural” do ser humano.

 Rousseau, na sua obra Emílio ou da educação enfatiza o homem natural, o individualismo, a liberdade, o trabalho útil à sociedade. Demonstra como se deve proceder para atingir o objetivo de fazer da criança um bom adulto. Já que defende o homem como nascido com a bondade natural. Para evitar que a criança se torne má, ela deve ser protegida da sociedade, traçando um caminho que a leva a felicidade comprometida pela ordem social.

Aponta ainda que a educação dever ser progressiva, de acordo com o desenvolvimento, devendo ser adaptado as necessidades individuais, ou seja, as diferenças individuais devem ser respeitadas. Cria uma teoria de desenvolvimento, baseando-se na idéia da bondade original, tece um projeto pedagógico no qual a criança passa a ser encarada como um ser em desenvolvimento, rompendo com a idéia de adulto em miniatura. Não é mais vista como animal, nem homem, e sim como criança mesmo. Com sua obra constrói um cenário onde a criança é o personagem principal com sua condição inocente e bondosa. Uma criança imaginária, bondosa, solitária e feliz. Repleto de sentimentos de bondade e humanidade. Qualidades que para Rousseau só seria possível com a criança longe das faculdades humanas. Esse sonho de Rousseau, esse paraíso, contribui para engrandecer e marcar a infância, causa um movimento de retração, um adiamento no movimento de autonomia da criança. A partir de Freud, no final do século XIX, as crianças perderam a inocência que haviam ganho do Cristianismo e de Rousseau. Foi dado ênfase ao papel desempenhado na sexualidade pelo fator infantil.

Do público ao privado – a infância recolocada

Segundo Ariès, a mudança da concepção e infância foi compreendida como sendo eco da própria mudança nas formas de organização da sociedade, das relações de trabalho. Portanto, não se trata de estudar a criança como problema em si, mas compreendê-la segundo perspectiva histórica. Para Foucault (1984), o ser se constrói historicamente como experiência, isto é, como podendo e devendo ser pensado. Ele entende experiência como correlação, numa cultura, entre campos de saber, tipos de normatividade e formas de subjetividade.

O conceito de infância evidencia-se pelo novo valor do amor familiar. A criança passa a ser cuidada pela família, e também pela escola. Há uma sutil rejeição da criança ao mesmo tempo em que ela é reconhecida como categoria social de grande importância. Cada vez mais encontraremos na contemporaneidade esse sujeito, entregue a especialistas. Na realidade quando nos mostramos preocupados em compreender a criança de hoje, sua relação com o consumo e as transformações que estas experiências acarretam no psiquismo de cada pessoa, estamos na verdade nos interrogando a nós mesmos, adultos e crianças.

Devir – criança e subjetividade

Para a autora, a criança é mais que faculdades mentais, maturação ou escalas de desenvolvimento. Procuramos a singularidade e sua relação com a historicidade. Com a psicologia do desenvolvimento aprendemos teorias e conceitos ligados aos aspectos evolutivos ao longo de sua trajetória de vida.

Não nos tornamos adultos sem a multiplicidade, não nos bastam as características da criança para sermos criança, nem chegar na fase adulta para assim o ser. Para Kantz, inexiste um caminho prévio e determinado que a criança devesse seguir para tornar-se um adulto. O que percebemos hoje é um deslizamento por parte dos adultos em relação ao que é ser criança.

brincarEste livro concebe o brincar como uma dimensão de fundamental importância para a compreensão do devir-criança. “Brincar” e “infância” parecem lugares privilegiados para se pensar a subjetividade da criança, quando o interesse é, mais do que pesquisar a criança, pesquisar com a criança as experiências sociais e culturais que ela compartilha com outras pessoas do seu ambiente.
Muitas vezes o brincar é visto como um campo propício à elaboração do mal-estar infantil, mal-estar que os adultos ajudam a produzir. Cláudia Jardim mostra que no campo do brincar, os aspectos da subjetividade encontram-se com elementos da realidade externa e possibilitam uma experiência criativa na construção do eu social. Trata-se da possibilidade de viver um período de espaço e tempo protegido, simbólico e gratuito.

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Consumismo e Uso de Drogas

consumo conscienteEntendemos por consumismo o ato de comprar produtos sem consciência, e sem necessidade. Um problema contemporâneo já que todos os dias somos alvos fáceis da indústria do consumo que com a mídia e o marketing nos leva a pensar que seríamos pessoas diferentes se adquiríssemos determinado bem ou serviço. Vivemos numa sociedade consumista, onde sempre estamos insatisfeitos, em busca do corpo perfeito, da coleção nova da vitrine, do cabelo “da hora”, do jeans de determinada grife, do modelo novo do carro. E somos convencidos de que viveríamos mais felizes se consumíssemos tais produtos, já que o indivíduo sempre está em desvantagem em relação aos “super poderes” dos objetos ofertados, que além da felicidade, traz pertencimento e mobilidade social. O problema está em como adquirir tais produtos? Como manter essa ilusão de felicidade, já que ao adquirir um objeto, o desejo não é eliminado, é apenas transferido para outros objetos? O consumismo surge como meio de construção de identidades, em que quanto mais poder os objetos adquirem, mais o interior do indivíduo está esvaziado e exteriorizado, pois ele só se reconhece e se sente bem quando coberto por alguma marca.

Vivemos em um país com uma das piores distribuições de renda do mundo e com precárias condições de aquisição desses produtos.  Onde a identidade do povo é formada a partir de imposições e modelos culturais cultuado pela onipresença dos meios de comunicação de massa, e o sujeito é obrigado a contemplar e a consumir passivamente as imagens de tudo o que lhes falta em sua existência real que é pobre e fragmentária. Isso gera conseqüências ruins, porque o consumista é diferente do consumidor, que só compra o que é necessário, ele compra o que é supérfluo, muitas vezes movido por distúrbios psicológicos, sociais. O sujeito incapaz de trabalhar seus problemas e suas frustrações busca soluções que na realidade causarão mais um problema como o uso de drogas. Geralmente o primeiro contato feito com as drogas, é exatamente quando a pessoa está buscando sua identidade psicossocial. A medida que vai ficando dependente o sujeito passa a ver a droga como fundamental e esquecendo dos seus relacionamentos interpessoais. Da mesma forma que o consumidor, no caso, consumista, busca nos objetos uma forma de se manter sociável, e feliz, o usuário de drogas também busca um significado para a vida, no entanto a droga o impede de pensar nas suas frustrações já que encará-las pode ser também doloroso. No caso são usadas para bloquear esse sentimento, anestesiar, negar-se a si mesmo. Vale ressaltar que muitos casos de usuários de drogas, também começaram quando na verdade os seus desejos eram de consumir objetos, fora da sua realidade, como já comentado. E como alternativa passam a praticar atos ilícitos na intenção de conseguir esses objetos. Quanto as drogas legais como álcool, tabaco, também entram no mesmo viés do consumo, pois a mídia nos leva a pensar mais uma  vez que a felicidade se encontra no consumo desses produtos.

drogas

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