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As Paixões por São Tomás de Aquino

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Para São Tomás de Aquino, as paixões são aquelas da alma, são sofridas e vividas pelo homem. Define paixão tudo que o sujeito recebe do exterior, e que sobrevém e o modifica: sentir, compreender. No plano da afetividade, tudo que o sujeito recebe do exterior e faz com que ele sofra uma mudança em função da atração que o objeto exerce sobre ele, quer o aceite ou o recuse. Ele considera por paixão tudo que chamamos de afetividade, carência e desejo, e que distingue da percepção sensível e da inteligência. Na paixão o paciente é atraído para aquilo que é próprio do agente. A alma é mais atraída pela potência apetitiva do que pela apreensiva, pois a apetitiva coloca as coisas em relação tais como são, e a apreensiva não é atraída para as coisas em si mesmas e sim pela sua intenção. Existe paixão onde há transmutação do corpo que se encontra nos atos do apetite sensível. Já no ato do apetite intelectivo não ocorre nenhuma transmutação no corpo. Com isso, podemos perceber que a paixão está mais presente no apetite sensitivo do que no intelectivo. São Tomás distingue duas potências da afetividade sensível a concupiscível e irascível. As duas têm como objetivo se aproximar do bem e afastar-se do mal, entretanto, as irascíveis possuem um maior grau de dificuldade na apreensão do bem e na evitação do mal. São Tomás considera a existência de onze paixões, seis concupiscíveis e cinco irascíveis. Nas paixões há duas contrariedades, a primeira com relação ao objeto, que é do bem e do mal; e a segunda é com relação ao afastamento ou a aproximação do mesmo. Nas paixões do concupiscível se encontra a primeira contrariedade, e na do irascível encontra-se as duas contrariedades. Dessa forma ficam claros os três pares de paixões do concupiscível: amor e ódio, desejo e fuga (aversão), alegria e tristeza. E os pares do irascível: esperança e desespero, audácia e temor, e a ira, que não possui nenhuma outra paixão, se opõe.

A ordem das paixões segundo a geração começa pelo amor e o ódio, depois o desejo e a fuga, depois a esperança e o desespero, logo o temor e a audácia, em seguida a ira, e enfim a alegria e a tristeza, pois são elas que completam ou terminam de modo absoluto todas as paixões.

Para São Tomás de Aquino o amor é algo próprio do apetite, isso deve-se porque ambos tem o bem como objeto. Ele distingue três tipos de apetites humanos: “natural” (escapam da influência da razão), “sensível” (que é despertado pela percepção dos sentidos), e existe um apetite conseqüente à apreensão do que apetece, por juízo livre, e tal é o apetite racional ou intelectivo, e este se chama vontade. Há quatro palavras que se referem, de certo, a mesma coisa: amor, dileção, caridade e amizade. Diferem, contudo, em que a amizade é “quase um hábito”, enquanto que o amor e a dileção se fazem compreender a modo de ato ou paixão, ao passo que caridade pode ser entendida de ambos os modos. Elas enfim, exprimem o ato de diversas maneiras, a mais geral delas é o amor, pois toda dileção ou caridade é amor, mas não inversamente. A dileção acrescenta ao amor uma eleição precedente. Por isso, a dileção não está no concupiscível, mas somente na vontade, e apenas na natureza racional. A caridade, por sua vez, acrescenta ao amor certa perfeição, na medida em que se tem grande apreço por aquilo que se ama. Assim, nota-se que a dileção é a forma de amor mais qualificada, pois é precedida por uma escolha, e a caridade refere-se à atração, ou ainda ao apelo, ao convite, enfim, a influência do amor e da caridade se exerce na forma de um treinamento dinâmico.

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Não existe nenhuma outra paixão da alma que não pressuponha algum amor. A razão disto é que qualquer outra paixão implica em movimento ou descanso em relação a alguma coisa. Ora, todo movimento ou repouso procede de certa conaturalidade ou adequação, que pertence á razão do amor. Para Sto. Tomás de Aquino, o ciúme é sim efeito do amor. Para ele, qualquer que seja o sentido do ciúme, provém da intensidade do amor, onde o amor intenso procura excluir tudo o que lhe é contrário. Logo, tudo que age, só age porque ama.

São Tomás de Aquino descreve que o mal é objeto do ódio. O ódio é causado pelo amor, porque é necessário que o amor seja anterior ao ódio, e que só se odeie o que é contrário ao bem conveniente que se ama. Assim, não se pode dizer de maneira alguma que o ódio é mais forte que o amor, pois é impossível que o efeito seja mais forte que a causa. Não obstante, ás vezes, o ódio parece mais forte que o amor por duas razões. Primeiro, porque o ódio é mais sensível que o amor; segundo, porque não se compara o ódio ao amor que lhe corresponde. Nota-se também que é impossível alguém poder odiar a si mesmo. Porque de fato, cada um deseja naturalmente o bem, e ninguém pode desejar algo para si senão sob a razão do bem, pois “o mal é contrário à vontade”.

São Tomás de Aquino caracteriza que o movimento apetite sensitivo se chama propriamente paixão. E toda afeição que procede de uma apreensão sensível é movimento do apetite sensitivo. Implicando-se necessariamente ao prazer; conseqüentemente o prazer é paixão. Pode-se dizer que a alegria é uma espécie de prazer, pois, tudo o que desejamos segundo a natureza, podemos também desejá-lo com o prazer da razão; mas o contrário não é verdadeiro. Assim, tudo que é objeto de prazer pode também ser objeto de alegria para os que são dotados de razão. Por isso, é claro, que o prazer tem mais amplitude que a alegria. O prazer tem por causa a união com o bem conveniente, união sentida ou conhecida. Nas ações da alma, sobretudo da alma sensitiva e intelectiva, deve-se considerar que por não passarem para uma matéria exterior, essas operações são atos e perfeições daquele que age: a saber, conhecer, sentir, querer, etc. as ações que passam para uma matéria exterior são antes atos e perfeições da matéria transformada: pois o movimento é do móvel pelo movente.

A tristeza pode-se considerar-se de dois modos: segundo existe em ato, ou segundo existe na memória. E de ambos os modos, a tristeza pode ser causa de prazer. Com efeito, a tristeza existente em ato é causa de prazer enquanto faz lembrar a coisa amada cuja ausência entristece. Quanto à memória da tristeza, ela é também causa de prazer pela liberação subseqüente, porque carecer de um mal é entendido como um bem: assim, saber que se liberou de coisas tristes e dolorosas aumenta no homem os motivos de alegria. Tristeza é uma espécie de dor, como alegria uma espécie de prazer, conclui-se que a dor e o prazer são contrários. A dor sensível leva para si fortemente a atenção da alma, também é evidente que para aprender algo novo se exige esforço com grande atenção; por isso, se a dor for intensa, o homem é impedido de poder aprender. Contudo, a dor atrai mais atenção da alma que o prazer.

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Por isso, se a dor interior, for muito intensa, atrai de tal modo a atenção que pode impedir que se aprenda algo de novo. São Tomás de Aquino afirma que a tristeza impede qualquer ação, porque nunca fazemos tão bem o que fazemos com tristeza, como o que fazemos com prazer, ou sem tristeza. A razão disso é que a vontade é causa da ação humana, e assim se a ação versa sobre algo que entristece, é necessário que a ação se enfraqueça. A tristeza, às vezes, faz perder o uso da razão, como se vê naqueles que, por causa da dor, caem na melancolia ou na loucura.

Em relação a esperança, São Tómas de Aquino diz que é anterior ao desespero, pois a esperança é o movimento de para o bem, e o desespero por outro lado é o afastamento do bem. A causa do desespero é quando o bem desejado fica fora de alcance. Quando o objeto se torna impossível de ser obtido, ele passa a ser repulsivo. O desespero é contrário à esperança apenas pela contrariedade da aproximação e do afastamento. O desespero não visa o mal pela razão do mal, mas por acidente, às vezes, visa o mal pela impossibilidade de alcançar o bem. O desespero não implica só a privação da esperança, mas um afastamento da coisa desejada, por conta da impossibilidade de alcançá-lo. O desespero e a esperança pressupõem do desejo, não há esperança nem desespero do que não é objeto do nosso desejo. Por isso os dois se referem ao bem, que é o objeto do nosso desejo. O desespero é conseqüência do temor, pois alguém desespera porque teme a dificuldade a respeito do bem a esperar.

O temor se refere ao mal, implica também na relação que o mal vence de algum modo o bem. O temor é o mal futuro difícil ao qual não se pode resistir. Ele nasce da fuga do mal, como a fuga pertence ao mal o temor também visa ao mal. Entretanto ele pode visar, quando o mal está primando o bem ou quando o mal que está fugindo do mal por ser mal. Como o temor provém da imaginação que o entristece. Assim temor é um mal futuro árduo e não se pode ser evitado facilmente. O temor em parte precede a nossa vontade. Existem vários tipos de temores, como a angústia, a vergonha, a infâmia e etc. O amor pode ser a causa do temor, quando por amar certo bem, e há um mal que priva esse bem, teme-se como a um mal.      

 A audácia é contraria ao temor, pois a audácia afronta o perigo, porque acredita na sua vitória. Ele é conseqüência da esperança, pelo fato de que alguém espera triunfar de um mal terrível iminente, por isso o afronta audazmente. Ela se segue à esperança e se opõe ao temor, então tudo que causa a esperança ou exclui o temor é causa da audácia. O objeto da audácia é formado por bem e mal; e o movimento da audácia para o mal pressupõe o movimento da esperança para o bem. Quando maior é o perigo, maior se julgará a audácia.

Em relação a esperança, São Tómas de Aquino diz que é anterior ao desespero, pois a esperança é o movimento para o bem, e o desespero por outro lado, é o afastamento do bem. A causa do desespero é quando o bem desejado fica fora de alcance. Quando o objeto se torna impossível de ser obtido, ele passa a ser repulsivo. O desespero é contrário à esperança apenas pela contrariedade da aproximação e do afastamento. O desespero não visa o mal pela razão do mal, mas por acidente, às vezes, visa o mal pela impossibilidade de alcançar o bem. O desespero não implica só a privação da esperança, mas um afastamento da coisa desejada, por conta da impossibilidade de alcançá-lo. O desespero e a esperança pressupõem do desejo, não há esperança nem desespero do que não é objeto do nosso desejo. Por isso os dois se referem ao bem, que é o objeto do nosso desejo. O desespero é conseqüência do temor, pois alguém desespera porque teme a dificuldade a respeito do bem a esperar. São Tomás considera que a esperança é uma necessidade vital do homem. Os jovens pela falta de experiências de vida têm mais esperança que os mais velhos. Considera-se que a velhice enfraquece a esperança. A esperança tanto pode ser a causa do amor, como o amor pode ser a causa da esperança. Pois o ser amado faz que nele esperemos, mas é a esperança que nele depositamos que faz que o amemos.  A esperança intensifica a ação por dois motivos, o primeiro por ser um bem árduo tem que haver um esforço, uma excitação sempre para que continue havendo esperança, e a segunda é que a esperança causa prazer e esse prazer favorece a ação.

Sobre a ira, o que é especifico da ira é que ela surge a partir de uma tristeza sofrida e do desejo e da esperança da vingança, por isso se diz que ela é causada por muitas paixões. Não possui nem uma paixão que seja contraria a ela. A ira tende tanto para o bem como para o mal, pois há a vingança, que deseja e espera como se fosse um bem, e por isso tem prazer de vingança; e há a pessoa que procura se vingar, como se fosse contrária e nociva, o que a faz pertencer à razão do mal. A ira visa sempre dois objetos, ao contrario de muitas outras paixões que visam um único objeto. A ira acompanha a razão, pois a existência da ira esta por conta de uma injustiça cometida e para que a pessoa tenha consciência dessa injustiça precisa haver razão. É uma paixão que muitas vezes é transmitida de pais para filhos. Para São Tomás de Aquino a ira só deseja um mal, pois ela tem uma vingança, mas como a vingança pode ser um ato de justiça, a ira pode ser considerada moralmente boa.

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Aristóteles — Retórica das Paixões

Do caráter do orador e das paixões do ouvinte

A retórica, técnica ou arte de convencer o interlocutor através da oratória, tem como fim um julgamento, sendo necessário não só atentar para que o discurso seja demonstrativo de fé, mas também a si próprio e ao juíz em certas disposições. A aparência do orador é muito útil para as resoluções dos casos, enquanto que para os ouvintes o que importa mais é o processo.

Para as pessoas que amam, as coisas são diferentes do que para aquelas que odeiam, ou das dominadas pela cólera das que são tranquilas, ou são diferentes, ou a importância que é dada é diferente. Se há uma pessoa sob julgamento, para aquela que ama o delito foi de pouca importância, enquanto aquela que odeia pensa o contrário. Da mesma forma quem tem esperança e aspira por momentos melhores é provável que isso aconteça, enquanto que quem é indiferente, descontente também viverão momentos descontentes, indiferentes.

O bom orador precisa ser prudente, virtuoso e benevolente para ganhar a confiança dos seus ouvintes

AS PAIXÕES

A paixão é aquele sentimento que causa mudança nas pessoas, seguida de tristeza e prazer, além de outras sensações.

A paixão da cólera

Desejo acompanhado de tristeza, de vingar-se, de desprezar determinada pessoa. O colérico se irrita sempre com um indivíduo particular. Em toda cólera há um certo prazer, que vem da esperança de vingar-se. O colérico passa o tempo vingando em pensamento, imaginando o prazer da vingança como num sonho. Desprezam como forma de desconsideração, daquilo que é indigno, insiguinificante. Usam do desdém, da difamação e do ultraje. Ora, só desprezamos aquilo que não tem valor algum. Quem desdenha, despreza. Quem difama quer tirar proveito de tudo, enquanto que o difamado não pode aproveitar nada. E quem ultraja sente prazer ao pensarem que , ao fazer o mal, aumentam sua superioridade sobre os ultrajados.

A cólera é proveniente do desgosto. Um doente irrita-se com aqueles que desprezam sua doença. O apaixonado com os que desprezam o seu amor. Toda cólera se segue certo prazer, proveniente da esperança de vingar-se.

A paixão da calma

Estar calmo é o contrário de estar encolerizado, e a cólera se contrapõe à calma. Portanto a calma é a inibição e o apaziguamento da cólera.

Somos calmos diante dos que reconhecem seus erros e se arrependem, com os que se humilham diante de nós e com os que parecem ser inferiores, com os que se comportam seriamente com quem é sério, com os que fizeram favores, com os humildes, com os que não são insolentes em geral com situações contrárias a cólera. As pessoas são calmas no riso, na festa, num dia feliz, na ausência da dor… Ou com pessoas temíveis, dignas de respeito, benfeitoras, com quem agem contra sua vontade, ou as arrependidas. Somos calmos com quem é justo.

A paixão do amor e do ódio

Amar ou querer para alguém o que se julga bom, o ser capaz de realizá-lo na medida do possível.

Quando acontece o que queremos ficamos satisfeitos, se acontece algo contrário angustiamos por essas não serem as nossas vontades.

Amamos: os que têm os mesmos desejos que nós, os que fizeram favor, os que cremos que amam os que amamos, os que odeiam os que odiamos. Os dispostos a fazer benefícios, sensatos, os que louvam as qualidades que possuímos, os limpos de aparência, os que não censuram nossos erros, os que não guardam rancor. Os que não dão maldizentes e os que admiramos os que nos assemelham, a menos que nos incomodem e provoquem espírito de competição, mas não da inveja. O ódio é o rancor, o contrário do amor, as causas do ódio são ultraje, calúnia, surge sem nenhuma ligação pessoal e se diferencia da cólera, pois o ódio quer fazer o mal, não sente compaixão, quer que o outro desapareça.

A paixão do temor e da confiança

Temor: desgosto, preocupação com um mal eminente, danoso ou penoso. Não tememos o que está distante, como a morte. São temíveis coisas que podem causar danos e desgostos, o temível parece estar próximo, indícios do ódio, cólera de pessoas que podem fazer algum mal. Se temem os que fizeram injustiça ou que sofreram injustiça, os rivais. Os que atacam os mais fracos, os temíveis para os mais fortes. Não tememos os que crêem que não sofrerão, nem os que tem poder, nem quem julgamos que não causariam algum mal, nem o momento que poderia acontecer algo, quem teme tem esperança de salvar-se. A confiança é o contrário do temível, os que inspiram a confiança e aproximação da esperança. São confiantes os que tiveram resultados felizes, os que escaparam de situações perigosas. Sentimos confiança quando não tememos nossos semelhantes.

A cólera inspira confiança.

A paixão da vergonha e da imprudência  

Seja vergonha, certa tristeza ou perturbação, com respeito aos vícios presentes, passados ou futuros, que parecem levar a desonra, a impudência, certo desdém e indiferença por esses mesmos defeitos.

Se sente vergonha diante das faltas que parecem vergonhosas, seja conosco ou com quem nos preocupamos. Ex: covardia, iniqüidade, inconveniência, tirar proveito das coisas de pessoas indefesas, cobiça, avareza… Sentimos vergonha diante dos que sempre estarão presentes e dos que prestam atenção em nós, por que fazemos o mesmo com os outros. Não sentimos vergonha nem diante daqueles cuja opinião relativamente a verdade menosprezamos.

            E não só de atos mais também de sinais vergonhosos. Quando devemos ser vistos pelo público somos mais sujeitos às vergonhas. Mas existem pessoas que não se envergonham: os impudentes, a impudência é contrária a vergonha.

A paixão do favor

É o serviço pelo qual, diz-se, aquele que possui, concede ao que tem necessidade. Quer dizer, presta o serviço a quem necessita, ele se torna maior quando a necessidade é maior e os que prestam esse serviço são acolhidos e considerados. É possível anular o favor e dispensar o sentimento de gratidão: ou porque se presta ou se prestou serviço no interesse próprio ou porque ocorreu por acaso, ou porque as pessoas foram forçadas, ou porque devolveram, mas não deram, foi uma troca, se sorte, que assim não poderia ser favor.

O favor pode ser examinado pelas categorias: quantidade, qualidade, lugar e tempo. Só é visto como favor se for algo de grande importância. Ninguém reconhece ter necessidade de coisas sem valor.

A paixão da compaixão

A compaixão, certo pesar por um mal que se mostra destrutivo ou penoso, e atinge quem não o merece. Mal que poderia esperar sofrer a própria pessoa ou um dos seus parentes, e isso quando esse mal parece iminente, com efeito. É evidentemente necessário que aquele que vai sentir compaixão esteja em tal situação que creia poder sofrer algum mal, ou ele próprio ou um dos seus parentes, e um mal tal como foi dito na definição, ou semelhante ou quase igual; não sentem compaixão os que estão completamente perdidos.

Mal que se mostra destrutivo ou penoso, atinge quem não merece, as pessoas que tem esse sentimento esperam que elas ou um dos seus parentes possam sofrer esse tipo de mal; isso se for eminente. Não sente compaixão: os que estão completamente perdidos, os que se julgam extremamente felizes, os velhos, os fracos, tímidos, homens instruídos, os que não estão no estado de paixão. Os que sentem grande temor não têm compaixão. As seguintes coisas são dignas de compaixão: as destrutivas, males graves, dolorosos, mortes, ultrajes corporais, maus tratos, velhice, doenças, fome e outros. Temos compaixão de pessoas semelhantes a nós pelo fato de poder acontecer o mesmo conosco. O imerecido.

A paixão da inveja

As pessoas sentem inveja das que são semelhantes, em nascimento, parentesco, idade, hábitos, reputação e bens. Por causa dos interesses pessoais de cada um. Os invejosos são pessoas que faltam pouco para possuir tudo, os que fazem grandes coisas, os felizes, os ambiciosos. Os sábios (os que se julgam). Os objetos de inveja são os bens, fama, consideração e glória ou o que vai nos tornar superior.

Invejamos os que estão próximos, pelo tempo, lugar, idade, fama e nascimento, não invejamos mortos, nem quem consideramos inferiores ou muito superiores ou quem está em condições análogas.

A paixão da emulação e do desprezo   

A emulação seja certo pesar pela presença manifesta de bens valiosos que nos é possível adquirir, sentido com respeito aos que são por natureza nossos semelhantes, não porque esses bens pertencem a um outro, mas porque não nos pertencem também. São inclinados a emulação os que se julgam dignos de bens que não possuem.

A emulação é contrária ao desprezo, e desprezar é contrário a emulação. Os que num estado de ânimo que os faz invejar a outros ou ser invejados, tendem a desprezar todas as pessoas e todos os objetos que apresentam os males contrários aos bens dignos de inveja, as pessoas que agem pela emulação procuram obter bens e se acham dignos de bens que não possuem. Com a riqueza, muitos amigos, cargos públicos e todos os bens análogos.

São invejáveis os bens honrosos, forçosamente as virtudes são também invejáveis, assim como tudo o que é útil e benéfico para os outros, porque se honram os benfeitores e os bons. Também são invejáveis todos os bens de que frui o próximo.

Essas são dignas de inveja e os seus bens: coragem, sabedoria e autoridade. O fato de sentir emulação é o contrário de desprezar.

 

 

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História da Grécia Antiga

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O termo Grécia antiga se refere ao período histórico grego que compreende dos tempos de Homero ao Helenismo, período da história da Grécia compreendido entre a morte de Alexandre III (O grande) em 323 a.C. e a anexação da Península grega e ilhas de Roma em 147 a.C. De modo geral, o Helenismo foi a concretização de um ideal de Alexandre: Levar e difundir a cultura grega aos teritórios que conquistava. No período que compreende a Grécia antiga se desenvolveram a filosofia, a matemática, a ciência, a política, a arte e outros campos do conhecimento e do agir humano. Por tudo isso a Grécia Antiga é considerada o berço da cultura ocidental. Não existe uma data fixa ou sequer acordo quanto ao período em que se iniciou e terminou a Grécia Antiga. Tradicionalmente, a Grécia Antiga abrange desde os primeiros jogos olímpicos em 776 a.C. até a morte de Alexandre, O grande em 323 a.C.

Na sociedade da Grécia Antiga a economia dos gregos baseava-se no cultivo de oliveiras, trigos e vinhedos. O artesanato grego, com destaque para a cerâmica, teve grande aceitação no Mar Mediterâneo. Com o comércio marítimo os gregos alcançaram grande desenvolvimento, chegando mesmo a cunhar moedas de metal. Os escravos, devedores ou prisioneiros de guerra foram utilizados como mão-de-obra. Cada cidade-estado tinha sua própria forma político-administrativa, organização social e deuses protetores.

Foi na Grécia Antiga, na cidade de Olímpia, que surgiram os jogos olímpicos em homenagem aos deuses. Os gregos também desenvolveram uma rica mitologia. Até os dias de hoje a mitologia grega é referência para estudos e livros. A filosofia taambém atingiu um desenvolvimento surpreendente, principalmente em Atenas, no século V. Platão e Sócrates são os filósofos mais conhecidos deste período.

Quase todas as cidades gregas possuiam anfiteatros, onde atores apresentavam peças dramáticas ou comédias, usando máscaras. A dramaturgia grega foi muito destacada. A poesia, a história, artes plásticas e a arquitetura também foram muito importantes na cultura grega.

A religião politeísta grega era marcada por uma forte marca humanista. Os deuses possuiam características humanas e de deuses. Os heróis (semi-deuses) eram filhos de deuses com mortais. Zeus, deus dos deuses, comandava todos os demais do topo do Monte Olimpo. A mitologia grega era muito importante na vida desta civilização, pois através dos mitos e lendas, os gregos transmitiam mensagens e ensinamentos importantes.

As principais contribuições da Grécia Antiga ao mundo ocidental foi o desenvolvimento harmonioso do individuo (corpo e mente), a cidade autônoma (auto-governada), o perfeccionismo da arte e a especulação filosófica.

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