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ANGÚSTIA E EXISTENCIALISMO

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O termo “Angústia” tem sua origem do latim “Angustus” que significa “estreito, apertar, afogar”. Comumente, a angústia é entendida como um estado de aflição, de sofrimento. Experimentada por todos os homens, em todas as culturas, confunde-se com o desespero. Existem vários tipos de leitura acerca da angústia. Há a leitura psicológica, que a compreende segundo as manifestações clínicas e psicopatológicas, e busca atentar para os sintomas apresentados, no intuito de encontrar uma cura para o sofrimento causado, através de métodos que controlem os sintomas, removendo totalmente a angústia. O enfoque humanista sobre a angústia é construído a partir de uma visão filosófica. Dados os fundamentos humanistas da gestalt-terapia, considera-se necessário recorrer ao campo da filosofia para fundamentar a possibilidade de trabalhar uma visão existencial do conceito de angústia. Há a leitura ontológica que considera a angústia enquanto um fenômeno que atinge todo ser enquanto perda do fundamento pessoal da existência e, conseqüentemente, do sentido de vida, visa compreender a angústia enquanto inerente ao ser e, como tal não há o que se curar porque não há como remover a angústia do ser.

O Existencialismo como especulação filosófica visa a análise minuciosa da experiência humana em todos os seus aspectos teóricos e práticos, mas acima de tudo dos aspectos irracionais da vida humana. O existencialismo é uma corrente filosófica que destaca a liberdade individual, a responsabilidade e a subjetividade do ser humano. Considera cada homem como um ser único que é mestre dos seus atos e do seu destino. O existencialismo difere da filosofia tradicional e do homem, pois não acredita que possa existir vida sem sofrimento ou a felicidade eterna. Acredita que as agruras existenciais, dentre elas a angústia, a solidão, o tédio etc., são inerentes à existência humana e, sem elas não há realizações humanas. No pensamento existencialista, portanto, a angústia deixa de ser vista como uma patologia para ser inerente à existência, à condição humana. É ela que tira o homem do quietismo e o leva à ação, o faz mudar de atitude, seu modo de pensar, de agir etc. pela reflexão e discussão acerca dos valores existenciais que ampliam a compreensão da realidade humana. A angústia não é mais, portanto, um sentimento negativo, mas uma experiência que evidencia-se quando tem-se consciência da condição humana de seres livres e únicos. A natureza essencial do homem é a razão pela qual ele adquire consciência dos seres. O que distingue os homens de outros seres é a consciência. A angústia não tem objeto, isto é, nada que existe pode desempenhar o papel daquilo que angustia a angústia. Sendo assim, a angústia de nada pode se assegurar, nem tampouco se tranqüilizar, o que resta apenas é o ser-no-mundo do modo que se é. Quando o nada se encontra com a angústia lembra o homem de sua verdadeira condição, um ser de possibilidades responsável por suas escolhas. Para Camon (1998), a angústia existencial é um sentimento elitista e filosófico, pois, refere-se à totalidade da existência humana e não à experiência pessoal diante do perigo ou aspereza da vida, como é utilizada no senso comum. É através da angústia que o homem direciona seus atos e torna possível agir em busca de novas perspectivas à própria vida.

Angerami – Camon, VA. Psicoterapia existencial. São Paulo: Editora Pioneira, 1998.

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Superação…

Estou meio ausente esses dias, muitos trabalhos, mas passei por aqui para deixar uma matéria que li na Revista Cláudia sobre mulheres que venceram a droga, a depressão, a prisão. Exemplos de superação! Aqui!

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Ansiedade e Vida Instintual – Angústia em Freud

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Freud descreve a angústia como um estado afetivo, combinado de uma série de sentimentos da série prazer-desprazer, com intervenções de descargas, e uma percepção dos mesmos sentimentos. Em seguida, comenta sobre dois tipos diferentes de angústia, a realística, sendo como uma reação que nos parecia compreensível, face a um perigo, ou seja, reação a um dano esperado de fora, e a neurótica, que é completamente enigmática, despropositada, sem razão de ser. Ainda sobre a angústia realística, há um estado de preparação para a angústia onde dois resultados são possíveis. A geração da angústia, repetição da antiga experiência traumática, limita-se a um sinal, caso em que o restante da reação pode adaptar-se à nova situação de perigo e pode resultar em fuga ou defesa; ou a antiga situação pode continuar mantendo o domínio, e a reação total pode consistir em nada mais que geração de ansiedade, caso em que o estado afetivo se torna paralisante e será inadequado para os propósitos atuais. Em relação a angústia neurótica, observamos sob três condições, encontramo-la na forma livre, flutuante, num estado de apreensão difusa. Também sob a forma de fobias, que tem uma relação com o perigo externo, e por último a ansiedade na histeria e em outras formas de neurose grave.

Consideramos o processo de repressão responsável pela angústia na histeria e em outras neuroses. É a idéia que é submetida a repressão e que pode ser deformada a ponto de ficar irreconhecível; sua quota de afeto, porém, é regularmente transformada em angústia, e isto é assim, qualquer que possa ser a natureza do afeto, seja de agressividade ou de amor.

No caso de um paciente com agorafobia (o medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão. Em realidade, o agorafóbico teme a multidão pelo medo de que não possa sair do meio dela caso se sinta mal e não pelo medo da multidão em si) pode iniciar sua doença com um acesso de angústia na rua. Isto se repetiria cada vez que fosse à rua novamente. Pode ser também qualificado como inibição, como restrição do funcionamento do ego, e, por meio dele, o paciente se poupa dos ataques de ansiedade. Na angústia realística reside em dois pontos: que o perigo é um perigo interno, ao invés de externo, e que esse perigo não é conscientemente reconhecido. Nas fobias, esse perigo interno é transformado em perigo externo, ou seja, a angústia neurótica é mudada em angústia aparentemente realística.

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