Arquivo da tag: Brincar

Só o tempo dirá!

meninomaluquinho1511

Deixe um comentário

Arquivado em humor, Pra ficar bem

Feliz “dia das crianças”

crianca

Aproveitando que hoje comemora-se o dia da criança (e o comércio está bombando por causa disso) segue link de uma matéria da revista Psique Ciência & Vida, sobre a importância do brincar no desenvolvimento cognitivo das crianças. Espero que gostem, e eu vou ficando por aqui, imaginando quantas alegrias e sofrimentos infantis teremos hoje por conta de um presente ou da ausência dele. Depois de semanas sendo alimentados pela mídia nesta expectativa, hoje é o dia das crianças tirarem a prova final. Para elas, desejo que seja um dia de alegrias, para os pais, desejo boa sorte, afinal esse é o mundo do capitalismo mesmo. =( 

Para quem se interessar sobre o tema “Criança e Consumo” eis o link de um site que tem como um dos seus propósitos despertar a consciência crítica da sociedade brasileira a respeito das práticas de consumo de produtos e serviços por crianças e adolescentes. =)

Google Imagens

Google Imagens

Deixe um comentário

Arquivado em Matérias, Meus Posts, Textos

Brincar – Um campo de subjetivação na infância

diversãoA CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE INFÂNCIA

No livro Brincar – Um campo de subjetivação na infância, a professora e psicomotricista Cláudia Jardim, escreve sobre a importância do brincar no desenvolvimento infantil, contando fatos históricos do universo da criança a partir do século XII até o século XIX, utilizando-se de referenciais teóricos como o historiador francês Philippe Ariès, Rosseau, Foucault, entre outros.

Philippe Ariès (1978) destaca duas teses em sua pesquisa na construção do conceito de infância: a primeira afirma que não havia sentimento de infância na Idade Média, ou seja, não havia consciência da particularidade infantil que distingue a criança de um adulto. Logo que a criança tinha condições de viver sem a dependência constante da sua mãe ou da sua ama, ela passava a participar do grupo dos adultos, a partir daí, os seus valores e conhecimentos não eram assegurados ou controlados pela família. A segunda tese apresenta a família e a criança ocupando lugar central nas sociedades industriais.

Em relação a arte medieval do século XII, Ariès chama a atenção para ausência de arte envolvendo as crianças, e isso não acontecia por falta de habilidades para a criação desses trabalhos, mas porque não havia lugar para a infância nesse mundo. Até o século XVII a criança era vista como um adulto em miniatura e tratada com certo descaso, como se fosse um bichinho de estimação, oscilava entre o mundo animal e o dos adultos. No século XIII nas raras representações artísticas, eram representados por adultos com tamanho reduzidos, nunca por crianças com expressões bem particulares. Nos séculos XV surgiram mais representações da infância. O putto que era a criança nua, vista nas esculturas, e o retrato, que não era colocado em seu próprio túmulo ou no de seus pais, mas sim no de seus professores, a criança agora era representada por ela mesma, uma nova sensibilidade atribuiu as crianças, seres frágeis e ameaçados, uma particularidade que ninguém se importava em conhecer. Nos séculos XVII os retratos de família passam a privilegiar a criança, e as pinturas, mesmo que não contemplassem a um tema infantil, utilizavam as crianças como suas protagonistas, principais ou secundárias. E essa particularidade infantil, não parou por aí, avançou nos demais séculos buscando sua especificidade cada vez mais refinada, até a atualidade.

O texto fala das mudanças ocorridas nos hábitos de brincar na sociedade medieval tendo como modelo o futuro Luis XIII, pelas anotações do diário do médico dele, Héroard. A partir das anotações dele, podemos conhecer um pouco das principais brincadeiras e atividades do pequeno, e nos ajuda a compreender como era a vida das outras crianças, já que todas elas, bastardas ou legítimas recebiam o mesmo tratamento de todas as outras crianças nobres. No século XVIII o movimento da particularização da infância avança e ganha forças, com o romantismo a família sofre mudanças, e a criança passa a ser valorizada ocupando um lugar de destaque no interior da família. Passam a cultivar as maneiras próprias do agir da criança, e as qualidades características da sua idade. A infância como graça, amabilidade, a “bondade natural” do ser humano.

 Rousseau, na sua obra Emílio ou da educação enfatiza o homem natural, o individualismo, a liberdade, o trabalho útil à sociedade. Demonstra como se deve proceder para atingir o objetivo de fazer da criança um bom adulto. Já que defende o homem como nascido com a bondade natural. Para evitar que a criança se torne má, ela deve ser protegida da sociedade, traçando um caminho que a leva a felicidade comprometida pela ordem social.

Aponta ainda que a educação dever ser progressiva, de acordo com o desenvolvimento, devendo ser adaptado as necessidades individuais, ou seja, as diferenças individuais devem ser respeitadas. Cria uma teoria de desenvolvimento, baseando-se na idéia da bondade original, tece um projeto pedagógico no qual a criança passa a ser encarada como um ser em desenvolvimento, rompendo com a idéia de adulto em miniatura. Não é mais vista como animal, nem homem, e sim como criança mesmo. Com sua obra constrói um cenário onde a criança é o personagem principal com sua condição inocente e bondosa. Uma criança imaginária, bondosa, solitária e feliz. Repleto de sentimentos de bondade e humanidade. Qualidades que para Rousseau só seria possível com a criança longe das faculdades humanas. Esse sonho de Rousseau, esse paraíso, contribui para engrandecer e marcar a infância, causa um movimento de retração, um adiamento no movimento de autonomia da criança. A partir de Freud, no final do século XIX, as crianças perderam a inocência que haviam ganho do Cristianismo e de Rousseau. Foi dado ênfase ao papel desempenhado na sexualidade pelo fator infantil.

Do público ao privado – a infância recolocada

Segundo Ariès, a mudança da concepção e infância foi compreendida como sendo eco da própria mudança nas formas de organização da sociedade, das relações de trabalho. Portanto, não se trata de estudar a criança como problema em si, mas compreendê-la segundo perspectiva histórica. Para Foucault (1984), o ser se constrói historicamente como experiência, isto é, como podendo e devendo ser pensado. Ele entende experiência como correlação, numa cultura, entre campos de saber, tipos de normatividade e formas de subjetividade.

O conceito de infância evidencia-se pelo novo valor do amor familiar. A criança passa a ser cuidada pela família, e também pela escola. Há uma sutil rejeição da criança ao mesmo tempo em que ela é reconhecida como categoria social de grande importância. Cada vez mais encontraremos na contemporaneidade esse sujeito, entregue a especialistas. Na realidade quando nos mostramos preocupados em compreender a criança de hoje, sua relação com o consumo e as transformações que estas experiências acarretam no psiquismo de cada pessoa, estamos na verdade nos interrogando a nós mesmos, adultos e crianças.

Devir – criança e subjetividade

Para a autora, a criança é mais que faculdades mentais, maturação ou escalas de desenvolvimento. Procuramos a singularidade e sua relação com a historicidade. Com a psicologia do desenvolvimento aprendemos teorias e conceitos ligados aos aspectos evolutivos ao longo de sua trajetória de vida.

Não nos tornamos adultos sem a multiplicidade, não nos bastam as características da criança para sermos criança, nem chegar na fase adulta para assim o ser. Para Kantz, inexiste um caminho prévio e determinado que a criança devesse seguir para tornar-se um adulto. O que percebemos hoje é um deslizamento por parte dos adultos em relação ao que é ser criança.

brincarEste livro concebe o brincar como uma dimensão de fundamental importância para a compreensão do devir-criança. “Brincar” e “infância” parecem lugares privilegiados para se pensar a subjetividade da criança, quando o interesse é, mais do que pesquisar a criança, pesquisar com a criança as experiências sociais e culturais que ela compartilha com outras pessoas do seu ambiente.
Muitas vezes o brincar é visto como um campo propício à elaboração do mal-estar infantil, mal-estar que os adultos ajudam a produzir. Cláudia Jardim mostra que no campo do brincar, os aspectos da subjetividade encontram-se com elementos da realidade externa e possibilitam uma experiência criativa na construção do eu social. Trata-se da possibilidade de viver um período de espaço e tempo protegido, simbólico e gratuito.

Deixe um comentário

Arquivado em Disciplinas, Infância, Meus Posts, Textos