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A dissecção da personalidade psíquica

Os sintomas são derivados do reprimido, são, por assim dizer, seus representantes perante o ego; mas o reprimido é território estrangeiro para o ego. A trajetória conduziu dos sintomas do inconsciente à vida dos instintos, à sexualidade. E assim a psicanálise descobriu que os seres humanos não são simplesmente criaturas sexuais, mas têm também impulsos mais nobres e mais elevados.

Os seres humanos adoecem de um conflito entre as exigências da vida instintual e a resistência que se ergue dentro deles contra a vida instintual.

O nosso próprio ego pode ser transformado em objeto, pode tratar-se como trata outros objetos, pode observar-se, educar-se, criticar-se, sabe-se lá o que pode fazer consigo mesmo. Assim o ego pode ser dividido, durante numerosas funções, pelo menos temporariamente. Depois suas partes podem juntar-se novamente.

O conteúdo dos delírios de ser observado já sugere que o observar é apenas uma preparação do julgar e do punir, e por conseguinte, deduzimos que uma outra função desta instância deve ser o que chamamos nossa consciência. Dificilmente existe em nós alguma outra coisa que tão regularmente separamos de nosso ego e a que facilmente nos opomos como nossa consciência. Sinto-me inclinado a fazer algo que me dá prazer, mas abandono pelo motivo de minha consciência não admitir. Ou me deixo persuadir por uma expectativa muito grande que a voz da minha consciência fez objeções e, após o ato, minha consciência me pune com censuras dolorosas e me faz sentir remorso pelo ato. Essa instância existente no ego, chama-se superego.

O melancólico, assim como outras pessoas, pode mostrar um grau de severidade maior ou menor consigo mesmo nos seus períodos sadios, durante um surto melancólico seu superego se torna super perverso, insulta, humilha e maltrata o pobre ego, ameaça com os mais duros castigos, recrimina-o por atos do passado mais remoto, que havia sido considerado à época, insignificantes. O superego aplica o mais rígido moral ao ego indefeso que lhe fica a mercê; representa em geral, as exigências da moralidade, e compreendemos imediatamente que nosso sentimento moral de culpa é expressão da tensão entre o ego e o superego. Após alguns meses, a crítica do superego silencia, o ego é reabilitado e novamente goza de todos os direitos do homem, até o surto seguinte. Em determinados tipos de doenças, passa-se algo do tipo ao contrário nos intervalos: O ego se sobressai, celebra um triunfo, como se o superego tivesse perdido toda a sua força, ou tivesse fundido no ego, e esse ego liberado, maníaco, se satisfazendo desinibidamente de todos os seus apetites.

As crianças de tenra idade são amorais e não possuem inibições internas contra seus impulsos que buscam prazer. O papel que mais tarde é assumido pelo superego é desempenhado, no início, por um poder externo, pela autoridade dos pais. A influência dos pais governa a criança, concedendo-lhe provas de amor e ameaçando com castigos, os quais, para a criança, são sinais de perda do amor e se farão temer por essa mesma causa. Quando a coerção externa é internalizada, e o superego assume o lugar da instância parental e observa, dirige e ameaça o ego, da mesma forma que os pais faziam com as crianças. O superego assume o poder, a função e até mesmo os métodos da instância parental, não é simplesmente seu sucessor, mas seu legítimo herdeiro. O superego parece ter sido unilateral e ficado apenas com a rigidez e severidade dos pais, com sua função proibidora e punitiva ao passo que o cuidado carinhoso deles parece não ter sido assimilado e mantido. Contrariando nossas expectativas, a experiência mostra que o superego pode adquirir essas mesmas características de severidade inflexível, mesmo tendo a criança sido educada de forma branda e afetuosa e se tenha evitado, na medida do possível, ameaças e punições.

Ao superego atribuímos-lhe as funções de auto-observação, de consciência e de manter o ideal. Daquilo que dissemos sobre sua origem, segue-se que ele pressupõe um fato biológico extremamente importante e um fato psicológico decisivo, ou seja, a prolongada dependência da criança em relação aos pais e o complexo de Édipo, ambos intimamente inter-relacionados. O superego é para nós o representante de todas as restrições morais, o advogado de um esforço tendente à perfeição, e em resumo, tudo o que podemos captar psicologicamente daquilo que é catalogado como o aspecto mais elevado da vida do homem.

Em relação ao id ele está repleto de energias instintuais, porém não possui organização, não expressa uma vontade coletiva, mas somente uma luta pela consecução da satisfação das necessidades instintuais que nele encontram expressão psíquica. As leis lógicas do pensamento não se aplicam ao id, e isto é verdadeiro, acima de tudo, quanto à lei da contradição. O id não conhece nenhum julgamento de valores: não conhece o bem, nem o mal, nem moralidade. Domina todos os seus processos o fator econômico ou, o fator quantitativo, que está intimamente vinculado ao princípio do prazer.

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Dia do psicólogo

Olá queridos estudantes de psicologia e demais pessoas especiais que passam aqui pelo blog. Ontem tentei postar, sem sucesso, algo sobre o dia do psicólogo, infelizmente o wordpress estava congestionado, logo, não foi possível.

No entanto, mesmo com um dia de atraso, gostaria de parabenizar a todos os profissionais de psicologia pelo seu dia, e não só pela data, mas por seu trabalho que é desenvolvido com tanto afinco e que dia após dia ganha mais forças por colaborar de forma significativa com a qualidade de vida das pessoas. Seja com Rogers, Freud, Skinner ou outros tantos, a psicologia tem as ferramentas certas para atingir os seus principais objetivos, descrever, explicar, prever e quem sabe, modificar o comportamento humano, sempre considerando os aspectos biológicos, afetivos, cognitivos e sociais.

A você, que é estudante assim como eu, fica a dica do comprometimento que devemos ter com a nossa profissão, afinal, vamos lidar com o que existe de mais íntimo nas pessoas, sua subjetividade.

\o/ Parabéns pelo nosso dia, psicólogos em formação, também podem comemorar!

Vládia Almeida

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Natalie X

A dinâmica do desejo na histeria no filme Natalie X

natalie xO termo histeria foi amplamente estudado por Jean-Martin Charcot, um eminente neurologista tentando demonstrar que esse fenômeno podia manifestar reações físicas. Freud com base nos postulado por Charcot, fundamentou sua pesquisa na teoria da neurose que eram causadas por lembranças reprimidas de grande intensidade emocional.

No filme Natalie X, acompanhamos a trajetória de Catherine, uma mulher jovem, bonita, bem sucedida e que subitamente descobre estar sendo traída por seu marido Bernard com quem é casada há vinte e cinco anos. Ao questionar a Bernard de quem se tratava uma mensagem recebida pelo celular, foi informada de que não era ninguém em especial, só uma mulher sem importância com quem teria passado a noite. Inconformada, Catherine demonstra sua insatisfação, levando-a a descrer sobre sua feminilidade e ambos passam a culpar um ao outro pelo afastamento e monotonia do casamento. O desejo entre os dois não está despertado, há no casamento acomodação. Catherine resolve procurar uma prostituta, a quem vai dar o pseudônimo de Natalie, e a contrata para seduzir Bernard, descobrir suas fantasias, seu comportamento na cama. Mesmo se sacrificando, ela quer que Bernard seja satisfeito porque acredita ser incapaz de realizar as fantasias sexuais do marido. Ela coloca o marido como sendo o detentor do poder, posição importante de quem tem o falo, no caso o poder, porque ele é desejado por outra mulher. Sua vertente libidinosa vem à tona e Catherine encontra em Natalie um mecanismo para emanar seus desejos, o que ela fazia questão de ocultar. Isso fica bem claro em um momento que Catherine toma como posse um perfume igual ao de Natalie e quando pede a mesma bebida que Natalie dizia tomar junto a Bernard, simbolizando para o marido que ela também poderia ser desejável. A partir daí, surge uma triangulação amorosa, onde Natalie precisa seduzir Bernard para que Catherine conheça mais sobre os desejos do seu marido. Bernard, por sua vez, procura Catherine, mas a mesma está cada vez mais distante e aparentemente indiferente. Ao procurar Catherine para o sexo, Bernard se depara com uma mulher fria e cansada, característica da falta estrutural da histérica que reside exatamente no que ela mais deseja, pois a recusa do sexo sustenta seu desejo de insatisfação. A histérica preserva a falta, o desejo insatisfeito, sem o qual a estrutura da histeria não se sustenta. A histérica goza na falta mesmo que o preço a ser pago por esse gozo seja o desprazer de um desejo não satisfeito. No caso de Bernard, a condição do histérico é poder ter o falo para si e fazer com que este seja objeto de seu controle. Ele demonstra essa angústia pela perda quando desconfia da traição da mulher, demonstrando por essa situação. O histérico masculino diferentemente do feminino é sustentado por sua autoconfiança na virilidade. A partir do momento que a Catherine deixa supor que existe outra pessoa em sua vida que não é o Bernard, ele não se vê mais como objeto de desejo dela.

nathaliex02Natalie passa a narrar detalhadamente os seus encontros com Bernard para Catherine, que por sua vez, na tentativa de por a prova o que conhece sobre o marido, questiona e contesta por diversas vezes o que é dito, demonstrando mais uma expressiva cota de gozo da histeria pelo saber. Ao mesmo tempo em que busca informações sobre o que a afeta, desvaloriza esse saber. É como se nenhuma verdade imperasse por muito tempo, pois ela se recusa a acreditar. Ela sofre pela traição, e por acreditar não ser capaz de ser tão desejada como Natalie, mas há um gozo em Catherine, mesmo quando ela fica zangada e insegura em relação aos encontros de Bernard e Natalie, e ela passa a procurar Natalie diariamente, escutando a narrativa do encontro atentamente. Ela goza no jogo que faz ao não se relacionar com o marido, o que não significa que não haja libido, mas que é maior o gozo esquivando-se da relação sexual. Catherine quer reparar a própria falta engajando-se no ideal de perfeição da mulher ideal, neste caso Natalie, de modo a suprir-lhe essa falta. Catherine não persegue seu desejo com o marido, mas vislumbra um ideal, motivo pelo qual queixa-se continuamente e apresenta sempre justificativas para permanecer naquele lugar, o de esposa, de modo a manter sempre o outro idealizado.

Natalie e Catherine começam a se identificar, e se interessar pela vida uma da outra. Elas passam a se encontrar em locais mais íntimos como a casa da mãe de Catherine, ou na clínica onde ela trabalha. Na identificação com a outra mulher, Catherine fica mais confortável para delegar a outra um suposto saber sobre como ser mulher, o que a isenta da preservação de um saber que para a histérica é inconstante e sustenta a falta de sexualidade o que é de primordial importância no jogo histérico. A partir daí também surge a competição, quando Natalie sente o desejo de ser esposa e narra que Bernard quer morar com ela e Catherine discorda, pois sabe do amor que o marido sente por ela. Como Catherine tem grande dificuldade de se assumir como a mulher sensual, a triangulação amorosa no filme estabelecida, evidencia a identificação com Natalie, a outra mulher, a desejada.  Natalie percebe que Catherine gosta de ouvir detalhes sobre as relações sexuais com Bernard, passa a alimentar ainda mais a fantasia de Catherine. Na verdade, Catherine tem esses desejos e não o marido. Natalie incorpora um fetiche, o brilho da mulher desejável, o brilho fálico, mas gostaria de ser a esposa. O desejo de Catherine é despertado pelo aparecimento da outra desejando o marido Bernard. Catherine passa a se proteger da morte do desejo, e sofre ao perceber que o desejo do outro é mais aberto e que há um enigma que é saber o que o marido deseja na outra mulher. É uma identificação feminina, ao modo como Natalie faz um homem a desejar. Ambas passam a ser espelho uma da outra, onde elas buscam traços para se comportar, e isso fica bem claro quando Natalie trabalha num salão de beleza e Catherine resolve dançar e transar com um desconhecido em um local inusitado, anteriormente narrado por Natalie.

nathalie-x03Existe na trama uma complexidade familiar da relação entre a Catherine e sua mãe. Isso é algo comum no histérico visto que o amor materno é muito intenso buscando esse a representação daquilo que acredita ser o desejo da mãe.

A personagem Marlene embora a trama possa ter transmitido a mensagem de aproveitadora, aquela situação pode ser interpretada como forma de Natalie ser uma pessoa que não se prostitua e tem uma vida dentro dos padrões de moral social como pessoa. Em determinados momentos a Natalie é quem toma conta da cena sublimando a vida da Marlene.

*Texto desenvolvido em equipe e apresentado na disciplina de psicopatologias psicanalíticas.  

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Ansiedade e Vida Instintual – Angústia em Freud

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Freud descreve a angústia como um estado afetivo, combinado de uma série de sentimentos da série prazer-desprazer, com intervenções de descargas, e uma percepção dos mesmos sentimentos. Em seguida, comenta sobre dois tipos diferentes de angústia, a realística, sendo como uma reação que nos parecia compreensível, face a um perigo, ou seja, reação a um dano esperado de fora, e a neurótica, que é completamente enigmática, despropositada, sem razão de ser. Ainda sobre a angústia realística, há um estado de preparação para a angústia onde dois resultados são possíveis. A geração da angústia, repetição da antiga experiência traumática, limita-se a um sinal, caso em que o restante da reação pode adaptar-se à nova situação de perigo e pode resultar em fuga ou defesa; ou a antiga situação pode continuar mantendo o domínio, e a reação total pode consistir em nada mais que geração de ansiedade, caso em que o estado afetivo se torna paralisante e será inadequado para os propósitos atuais. Em relação a angústia neurótica, observamos sob três condições, encontramo-la na forma livre, flutuante, num estado de apreensão difusa. Também sob a forma de fobias, que tem uma relação com o perigo externo, e por último a ansiedade na histeria e em outras formas de neurose grave.

Consideramos o processo de repressão responsável pela angústia na histeria e em outras neuroses. É a idéia que é submetida a repressão e que pode ser deformada a ponto de ficar irreconhecível; sua quota de afeto, porém, é regularmente transformada em angústia, e isto é assim, qualquer que possa ser a natureza do afeto, seja de agressividade ou de amor.

No caso de um paciente com agorafobia (o medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão. Em realidade, o agorafóbico teme a multidão pelo medo de que não possa sair do meio dela caso se sinta mal e não pelo medo da multidão em si) pode iniciar sua doença com um acesso de angústia na rua. Isto se repetiria cada vez que fosse à rua novamente. Pode ser também qualificado como inibição, como restrição do funcionamento do ego, e, por meio dele, o paciente se poupa dos ataques de ansiedade. Na angústia realística reside em dois pontos: que o perigo é um perigo interno, ao invés de externo, e que esse perigo não é conscientemente reconhecido. Nas fobias, esse perigo interno é transformado em perigo externo, ou seja, a angústia neurótica é mudada em angústia aparentemente realística.

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Pulsão de Vida e Pulsão de Morte

As descobertas de Freud referentes ao descentramento do sujeito, que determinam o Ser do Psiquismo, foram importantes para que os conceitos de Pulsão de Vida e Pulsão de Morte fossem formulados. A partir da elaboração das teorias ligadas ao Inconsciente Humano, importantes para o surgimento da perspectiva do deslocamento da soberania do consciente e do eu para os registros do inconsciente e das pulsões, o autor aprofundou as concepções relativas às pulsões.

Para Freud, as pulsões não estariam localizadas no corpo e nem no psiquismo, mas na fronteira entre os dois e teriam como fonte o Id (isso). A pulsão de vida seria representada pelas ligações amorosas que estabelecemos com o mundo, com as outras pessoas e com nós mesmos, enquanto a pulsão de morte seria manifestada pela agressividade que poderá estar voltada para si mesmo e para o outro. O princípio do prazer e as pulsões eróticas são outras características da pulsão de vida. Já a pulsão de morte, além de ser caracterizada pela agressividade traz a marca da compulsão à repetição, do movimento de retorno à inércia pela morte também.

Embora pareçam concepções opostas, a pulsão de vida e a pulsão de morte estão conectadas, fundidas e onde há pulsão de vida, encontramos, também, a pulsão de morte. A conexão só seria acabada com a morte física do sujeito.

 Podemos constatar o enlaçamento existente entre as pulsões na dinâmica da neurose da angústia.  A pulsão de morte no sujeito será a responsável pela elevação da tensão ou excitação libidinal que será escoada pela pulsão de vida que levará o indivíduo, impulsionado pelo princípio do prazer, a procurar objetos que venham minimizar os impactos da angústia.

Os conceitos de pulsão de vida e pulsão de morte concebidos por Freud foram importantes para a construção da teoria psicanalítica, pois proporcionou um novo entendimento sobre os registros do inconsciente, ampliando os estudos e concepções sobre o psiquismo humano.

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ELABORAÇÃO ONIRICA E INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS

Para Freud, a linguagem ao invés de ser o lugar transparente da verdade, é o lugar do ocultamento. O que é falado está escondendo algo mais importante, e essa importância tende a aumentar conforme for a articulação entre a linguagem e o desejo. A psicanálise quer procurar exatamente a verdade do desejo que o discurso oculta, o desejo da infância com todas as interdições a que foi submetido. A única forma desse desejo aparecer é no sonho manifesto, de uma forma bastante distorcida, depois do ´´trabalho do sonho“ ou ´´elaboração onírica“, ou seja, a transformação do conteúdo latente em conteúdo manifesto após algumas deformações. O contrário, a busca do conteúdo latente através do sonho manifesto, visando decifrar o trabalho do sonho é chamada interpretação.

Para chegar a interpretação dos sonhos faz-se necessário um trajeto progressivo da elaboração onírica e observar os quatro mecanismos fundamentais do trabalho do sonho: Condensação, deslocamento, figuração e elaboração secundária, esta última como sendo um segundo momento da elaboração onírica.

Condensação: O conteúdo manifesto é menor do quer o conteúdo latente. O contrário nunca acontece. Pode ocorrer de diferentes formas. Com o ocultamento de alguns acontecimentos do sonho latente, permitindo alguns fragmentos do conteúdo latente no sonho manifesto ou combinando vários elementos do conteúdo latente num único elemento do conteúdo manifesto.

Deslocamento: Também é obra da censura dos sonhos. Substitui elementos do conteúdo latente por outros mais remotos que funcione em relação ao primeiro com uma simples alusão e acentua um acontecimento de menos importância, como forma de descentralizar o de importância.

Figuração: Seleção e transformação dos pensamentos do sonho em imagens, ou pensamentos.

Elaboração Secundária: Modificação do sonho, a fim de que ele seja mais coerente e compreensível, perdendo sua aparência de absurdidade.

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SOBREDETERMINAÇÃO: O sentido do sonho nunca se esgota numa única interpretação. Um mesmo conteúdo manifesto pode nos remeter a séries de pensamentos latentes.

SUPERINTERPRETAÇÃO: Uma segunda interpretação que se sobrepõe à primeira e que nos fornece um outro significado do sonho distinto do indicado na interpretação original.

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Conceito de perversão antes e depois de Freud

Antes de Freud a palavra perversão era utilizada como um termo de censura, vista como doença, como algo de ordem orgânica, anormal. Chamada pelos médicos da época de aberração resultante da degeneração do sistema nervoso. A sexualidade era mencionada como uma forma de reprodução, algo do instinto do indivíduo, portanto, era considerada perversa toda conduta sexual que não objetivasse a reprodução, já que seria colocada em risco a preservação da espécie. O indivíduo seria considerado um portador de desvio. A perversão era uma patologia.

Freud considera que na atividade sexual do ser humano, existem diferentes práticas sexuais, ou seja, a sexualidade das pessoas ditas normais apresenta uma série de exemplos que não estariam voltados diretamente ao órgão genital, ao ato de reproduzir, práticas que não podem ser tratadas como doenças, porque é da natureza da sexualidade humana, o próprio aspecto perverso. As teorias acerca da sexualidade falavam em instinto sexual, e Freud apresentou o conceito de pulsão, cujo objetivo é a busca pelo prazer, pela satisfação. Logo, certas condutas consideradas perversas se tomado como referencial o instinto, deixam de sê-lo se tomado como referência a pulsão. A perversão é uma condição humana em busca do prazer, deixando de ser vista como patologia, portanto todo sujeito humano é perverso. O que é considerado patológico é a fixação objetal, é o sujeito ficar aprisionado a um determinado objeto, um estado de desprazer, aumentando o estado de sofrimento.

Para Freud, a perversão faz parte do processo da sexualidade infantil. O termo Pequeno Perverso Polimórfico coloca o fato de a criança apresentar diferentes formas de sentir prazer. No entanto, a perversão infantil não pode ser confundida com a perversão do adulto, mesmo que seja o ponto de partida para esta, cada uma mantêm sua especificidade.

 

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